Andar

Mudei-me. Tive que trocar de acomodação, vim parar do outro lado da cidade. Ontem resolvi ir ao supermercado do bairro, com a certeza de que não iria me perder no meio do caminho. Fui ouvindo the Kooks. No caminho tem biblioteca, piscina pública, lugar onde comprar comida chinesa, correio, farmácia, Greggs (mas que novidade), e mosquitos – um minúsculo e verde pousou no meu óculos, e ficou lá, como se fosse o lugar mais apropriado para o momento. Quanto à comida chinesa, é um produto que nunca deixará de ser consumido: comida inglesa é reconhecidamente ruim, então todo mundo prefere noodles, e, no momento, a população chinesa dessa cidade é maior do que a da própria China.

No caminho também tinha uma mulher com uma serra elétrica e pijama, dando um trato nas plantas do jardim. Dando forma ao arbusto.

Achei o supermercado, não me perdi. Difícil foi achar a porta de entrada. Só depois que chequei todas as portas de saída é que vi que tinha passado direto pela de entrada. Existe um sistema que tranca os carrinhos do supermercado e você tem que usar uma moeda de uma libra para liberar um deles, só que eu não tinha uma moeda. Passei pela entrada, sem carrinho, e sem nem ver as cestinhas. “Vou ter que carregar tudo na mão? Não tem cestinhas nesse lugar?!” Comecei a esquematizar uma tática “polvo” até que vi várias cestas próximas aos caixas. Fui lá, peguei uma, e saí como se tivesse feito a coisa mais sensacional do mundo. Passei vinte mil vezes pela mesma seção, pensando o supermercado era dividido: metade para produtos de limpeza, metade para comida. Vinte minutos procurando farinha de trigo do lado errado. Mas achei. Em algum momento tive que tirar os fones de ouvido, porque a trilha sonora do lugar era She & Him!

Voltei ouvindo The temper trap e a mulher do jardim ainda estava lá, de pijama. Ou vai ver que essa seja a roupa de jardim dela, pensei. Ao ver a rua do lado, notei que era pijama mesmo. Ficou totalmente compreensível que a urgência de acordar e ir arrumar o jardim, quando a rua do lado parecia impecavelmente verde. Parei para tirar foto, com o celular.

Voltei pelo outro lado da rua, só para andar por outro lado. Mentira, foi só para não atravessar a rua no mesmo lugar que antes. Algumas casas tem trampolim no jardim descuidado. Igual aos que aparecem nas vídeo cassetadas do Faustão.

Andando, sentindo o vento frio e engolindo mosquitos, pensei “eu gosto de morar no UK”.

Tentei chegar ao centro andando, sem a mesma certeza de que não iria me perder. Só que lembrei que havia esquecido um documento, e voltei todos os passos que já tinha dado. Peguei o ônibus mesmo.

Contudo, a volta foi andando! E tem vacas e bois pelo caminho.

(:

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Entre aqui e ali

É sexta-feira e tenho um monte de trabalhos para fazer, mas vou escrever aqui porque… é sexta-feira.

Há duas semanas atrás estive em Durham! Só que não vou falar muito de lá, porque seria chato para mim, para você e para mim também. Então vou colocar umas fotinhas aqui, só para mostrar que a cidade parece um conto de fadas mesmo. E talvez eu sempre me lembre que os olhos são tão mais bonitos por lá.

Eeh!

E falando em fotos. Comprei uma câmera nova. Assim, uma Canon e posso dizer que agora tenho uma Canon ryca, só que pobre depois de comprá-la. Ainda não tirei nenhuma foto com a criatura e tenho que ler o manual de instruções, porque nem a cordinha eu estava conseguindo amarrar nela, quanto mais tirar uma foto descente… Porém, vou aprender sim, então me aguardem.

Agora eu lembrei que chamei a câmera de “criatura” e talvez ela precise de um nome. Porque os seguranças da acomodação ficaram meio frustrados quando me perguntaram qual o nome do panda do meu chapéu de panda, e eu respondi “panda”. Quantos anos eles acham que eu tenho, para usar um chapéu de panda e ainda dar um nome a ele?! É cada um que aparece aqui…

Em Newcastle os passageiros esperam na estação de ônibus que o motorista termine de fumar seu precioso cigarro e volte ao serviço. É o vício minha gente. “Superem isso.” Como tem em letras garrafais em alguns ônibus “algumas pessoas são gays, superem isso”.

Então agora eu tenho que ir e viver um pouco por fora dessa inércia e distração, porque prazos existem.

Ps.: Essa semana consegui me concentrar bem mais nas aulas, por falar em distração.

(: